"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

PÁGINAS

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Basicamente podemos dividir a história da música pop entre antes e depois de Michael Jackson.
Mesmo não sendo fã, confesso que na semana de sua morte senti uma tristeza nostálgica, afinal, a morte do rei do pop encerra toda uma época (no caso os anos 80). Lembro-me de como fiquei assustado ao assistir a estreia do videoclipe “Thriller” no Fantástico (quando o programa fazia jus ao nome), não havia nada parecido, Jackson inovava não só nos vídeos, mas também na dança, nos shows, a cada lançamento de disco toda a indústria fonográfica e a mídia direcionava sua atenção única e exclusivamente para o “rei”.
Jackson foi (e continua sendo) a expressão máxima da indústria cultural, seu produto mais perfeito.
A sua “atuação” foi do início ao fim da carreira ininterrupta, impossibilitando a distinção do homem e do artista, transformou-se em “coisa de si próprio” (AB’SÁBER, 2009).
Negro que ficou branco, anjo ou demônio, culpado ou inocente, pedófilo ou apenas um artista que amava as crianças, enfim, ninguém saberá. Mas por traz da bizarrice de Michael Jackson encontramos novamente a face sombria de uma sociedade. Não é à toa que 10 dias após a sua morte seu corpo ainda continua sem descanso, o pai ao anunciar os preparatórios do funeral aproveitou o momento para divulgar sua nova gravadora, a ex-esposa que dizia não estar preparada para a maternidade briga pela guarda dos filhos e a herança que os acompanha, as gravadoras correm para suprir as prateleiras com discos do ídolo recordando os velhos tempos e os fãs disputam ingressos para ver o último show (ou melhor, funeral) do astro.
A indústria cultural é “ultraligeira” fornecendo sempre novos “produtos” para o “consumo psíquico” (MORIN, 1969) das massas, preenchendo assim as lacunas sombrias do nosso ethos corrompido.
Já não existe mais artista como Michael Jackson e nem existirá, pois o fenômeno das celebridades agora é instantâneo, onde um Jackson é fabricado a cada mês.

BIBLIOGRAFIA

- AB’SÁBER, Tales. Ruínas do pop. Jornal Folha de São Paulo, caderno Mais! 05/07/2009

- MORIN, Edgard. “A indústria cultural”, in: Cultura de massas no século XX. Companhia Editora Forense: Rio de Janeiro, 1969.

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