"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

PÁGINAS

domingo, 7 de maio de 2017

APROPRIAÇÃO CULTURAL

Apropriar-se do elemento de uma cultura, sem levar em conta os sujeitos que dela participam, pode ser entendido como apropriação cultural. Em sentido geral, o mercado transforma em mercadoria de consumo tudo que se possa imaginar, inclusive artefatos culturais.

A grande crítica à apropriação cultural reside no fato de "roubar-se" esse elemento, mas sem o respeito mínimo à cultura e às pessoas que dela participam. Sendo assim, no caso do turbante, as pessoas o reconhecem como algo interessante e o bonito, quando aparecem em mulheres brancas, padrão de beleza instituído. Mas, e quando mulheres negras resolvem sair às ruas com seus turbante? 

Isso pode se pensado de outras formas. Por exemplo, na minha carreira de professor do ensino médio, percebo que diversos adolescentes, seguidores da umbanda ou candomblé, têm dificuldades de afirmar sua religião publicamente na escola. Pelo simples fato de perceberem toda um preconceito violento contra essas religiões. Afinal, o cristianismo, como herança de uma colonização européia, é instituído como a religião oficialmente aceita, principalmente por ser de cor branca. 

Jovens se apropriam do termo "macumba" para descrever de forma pejorativa essas religiões, de matrizes afrodescendentes. Ou seja, o termo é apropriado de maneira extremamente equivocado contra os próprios sujeitos da cultura. 



SER OU NÃO RADICAL

Nesse contexto, o radicalismo de alguns grupos é condenado, como no caso da menina com câncer que estava usando o turbante. Mas, por  que alguns grupos insistem no radicalismo?

Porque ele é necessário em alguns contextos, mesmo reconhecendo os ricos de se ultrapassar alguns limites. E o ideal é que nas se ultrapasse esses limites.

Muitos grupos que passam a defender justamente um a determinada causa, percebem que é necessário o radicalismo, para chamar atenção à luta empreendida. Um exemplo claro disso é o fato de que, o assunto apropriação cultural passou a ser discutido devido ao radicalismo de jovens que denunciaram a situação. 

A radicalização é uma forma de expor a luta e as dificuldades pelas quais passam determinados grupos, que precisam inclusive denunciar para o que a maioria da população considera como normal.

Atitudes violentas, preconceituosas, racistas, homofóbicas, entre outras, são tidas como naturais perante a sociedade, sendo assim, aceitas. Quando grupos entram na empreitada de se autoafirmar e denunciar a situação, o radicalismo conduz as ações desse grupo.

Com tempo, a tendência é de que esse radicalismo de lugar a uma luta mais direcionada conscientemente.

Mas, o que é importante é manter sempre o diálogo, de forma mais pedagógica quem sabe e mostrar que todos elementos culturais devem ser respeitados, afinal, toda cultura é a soma desse intercâmbio cultural, que forma uma diversidade necessária para a humanidade.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

TRABALHO, CAPITALISMO E CONTRADIÇÃO

Cena do filme Tempos modernos, de Charlie Chaplin


No dia 28 de Abril, o Brasil foi abalado por uma greve geral contra as propostas de reforma das leis trabalhistas expressas na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), de 1943 e, contra a proposta de reforma da previdências.

A grave teve grande adesão direta, os sindicatos falam numa participação de 35 milhões, sem contar a grande solidariedade aos que não aderiram, mas entenderam que a greve e todas as reivindicações eram justas.

- AL JAZEERA http://migre.me/wxLN0
- THE GUARDIAN http://migre.me/wxLOV
- LE MONDE http://migre.me/wxLVZ


Mas, como nada é unanimidade, e ainda bem que é assim, uma parcela significativa criticou a greve os grevistas, a atuação dos sindicatos e ainda entendem que as reformas são necessárias para o bom andamento da economia, para aumentar a contratação de desempregados e diminuir esse numero que hoje chega a 13,5 milhões, segundo o IBGE.

O grande problema de quem busca analisar as questões referentes ao trabalho - incluindo temas como emprego, salário, crescimento econômico, entre outros emas relacionados - e o de pensar sempre numa perspectiva microssocial das relações, além de pensá-las no campo de situações ideias. Não consideram o que está no cerne do próprio sistema capitalista e sua relação com o trabalho.

Não obstante, cria-se a ideia de que, se os empregadores tiverem menos tributos e maiores facilidades na hora da contratação, contratarão mais, pagarão salários melhores e promoverão um equilíbrio geral na situação econômica.

Total engano, pois o sistema capitalista (e aqui deixo claro que não faço crítica de um sistema em beneficio da ideia de outro) sobrevive à custa da própria exploração do trabalho e sua mão de obra, que são os trabalhadores. 

Um exemplo básico disso é a lucratividade dada por meio do trabalho análogo à escravidão, que é mais do realidade no Brasil, sustentada por indústria dos mais diversos setores. A lista de empresas envolvidas é grande:

Link da lista em PDF: http://migre.me/wxMaf

Para se ter uma ideia prática de como funciona esse sistema, é só assistir ao excelente documentário The true cost com direção de Andrew Morgan (disponível na Netflix), de 2015, onde aborda a indústria da chamada moda rápida, que acelera a produção o lançamento de novas roupas, a preços baixíssimos no mundo inteiro, mas que esconde uma cadeia de exploração do trabalho, custando a vida de milhares de pessoas. Além disso, o documentário aborda as consequências ecológicas e psicológicas do mundo da moda. Mas, o ponto central é ainda a terceirização dessas linhas de produção, que fica a cargo de países asiáticos, onde mulheres trabalham sem as mínimas condições.


Trailer do documentário The true cost (2015)

Mas o material para uma análise consistente sobre o tema não para por aí. Germinal, baseado no livro de Émile Zola e que depois virou filme, retrata as contradições que envolvem a luta de trabalhadores explorados nas minas de carvão e um burguesia distante dessa realidade, vivendo de maneira farta às custas da exploração desses mesmos trabalhadores.

Talvez, a maior contribuição do filme é a de mostrar o quanto a luta pelos direitos sociais são baseadas por conflitos, sempre  violentos, pois trata-se de relações de poder, onde o que detém o poder econômico dificilmente cedem ou estão aptos a negociação democrática ou consensual. 

O filme nos transporta até a atmosfera de uma época em que começam a ser discutidas a questão dos direitos sociais, a necessidade de uma organização dos trabalhadores por meio de sindicatos, as influências das ideias socialistas e face nefasta do desenvolvimento da economia capitalista.


Filme Germinal
Link para 2º parte: https://youtu.be/YxvC9Ow7T94


Outra produção importante para entender esse ciclo de exploração e a necessidade dos movimentos trabalhistas é o filme Daens - um grito de justiça, de 1992, que narra a história de um padre belga Adolf Daens e sua luta para denunciar a situação de precaridade nas fábricas, durante o século XIX, na bélgica. A preocupação do padre é em denunciar as mortes, principalmente de crianças, nas fábricas têxteis, para isso, enfrenta a burguesia da época e até a própria igreja, que compactuava com tais atrocidades, mesmo reconhecendo o problema. 


Cena do filme Daens - um grito de justiça


Em meio a tudo isso é importante perceber que os direitos não são dádivas de patrões ou da bondade humana, eles surgem a partir de lutas. Por trás de todo direito social existe uma luta histórica de atores sociais que, em algum momento, a partir da consciência se propuseram a lutar, pagando com a própria vida (muitas vezes), algo que te beneficia e você não dá o devido valor.

Outra questão importante é que, novamente, se faz necessário um olhar mais amplo para a questão, não individualizando-a ou analisando a partir das suas condições. No Brasil, por exemplo, existem uma série de questões poucos discutidas e são essenciais, como: a disparidades de salários, onde uma parcela ganha muito e outra (a maioria, ganha somente o salário de subsistência); o número de empregos informais, incentivado pelo próprio mercado capitalista; como o sistema se alimenta da exploração do trabalho; uma escala de cargos que ganham muito, onerando os cofres públicos em benefício próprio; a inflexibilidade do sistema que abre mão do seu lucro, para assim ganhar sempre mais; as altas jornadas de trabalho, que inviabiliza a contratação de mais empregados; e, o mais importantes, o crescimento de vagas para os postos de trabalho, nem sempre significa aumento na qualidade de vida de trabalhadores, uma vez que com a leis em aprovação, o grande cenário do trabalho será o do subemprego, isso, para todas a categorias.

sábado, 29 de abril de 2017

DEMÔNIO INTERIOR



Dentro de nós existe algo que desconhecemos, surge por meio de algum momento em nossas vidas. Não damos muita atenção, mas esse algo fica lá, quieto, sorrateiro, esperando o momento certo. 

De repente, cresce dentro da gente, toma forma, assume uma força que não dominamos. Vai se alimentando de nossos sentimentos, emoções e todas sensações que por ventura ousamos experimentar. Como numa espécie de buraco negro nos impede de viver por completo. Suga tudo, devora e cresce, ao passo que diminuímos. 
Não sabemos denominar mesmo que consultemos todos manuais, que busquemos ajuda das mais diversas formas.

Sei lá, pode até ser que de fato sabemos o que é, mas ficamos refém, como numa espécie de jogo de chantagem. Estamos presos. 

Invariavelmente pensamos em nos livrar dele, mas percebemos que é parte intrínseca do que somos. Acabar com um seria decretar fim do outro. Será? E então temos que conviver com esse buraco negro, que suga energia, vontade, desejos e sentimentos.  Sem esperança de ter um fim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

POLÍTICA, PODER E ESTÔMAGO

Cartaz do filme Estômago

Para o sociólogo alemão Max Weber, o centro da atividade política é o poder. O poder entendido como a capacidade que uma pessoa ou um grupo tem de exercer sua vontade sobre outro pessoa ou grupo.


Porém, a dominação e o exercício do poder não pode ser exercida pela violência, pois não teria legitimidade. Muitas vezes, as pessoas e/ou grupos que se submetem a um poder precisam legitimar o sujeito ou o grupo que o exerce. 

Max Weber separou os tipos de dominação em três grupos: o tradicional, que como o nome já diz é dado pela tradição, onde geralmente os mais velhos de um grupo exercem por serem mais experientes por ser um elemento cultural do grupo. Exemplo disso é o poder que  os pais têm numa determinada família ou o poder de um rei que dado pela tradição. 

Depois, vem a dominação racional-legal, onde o poder exercido tem legitimidade através da lei que permite, como no caso do poder de um presidente ou funcionários públicos dentro deu uma repartição.


E, por último, o tipo de dominação carismática, onde os atributos pessoais de um sujeito será determinante para que ele possa exercer o seus poder. Assim, artista, figuras religiosas e até políticos que, além de contar com a legitimidade racional-lega, possuem um carisma que consegue atingir as massas.

Um grande exercício, para entender o jogo do poder, é analisando-o a partir das nossas experiências e relações cotidianas. Afinal, qual o poder vocês exerce e sobre quem? Por que? Como isso se estabelece? A quais tipos de dominação você é submetido em seu cotidiano.

Esse exercício pode ajudá-lo a perceber que, toda relação social é construída por relações de poder.

Como dica, o filme Estômago (2008), do diretor Marcos Jorge e que conta a história de Raimundo Nonato (João Miguel), que vai para cidade grande tentar a vida como faxineiro, mas logo descobre seus dotes culinários que passa a encantar as pessoas. Porém, não demora muito e Raimundo Nonato é preso por um crime passional. Na cadeia, passa a gozar de certos privilégios graças suas habilidades como cozinheiro. Não demora muito e Raimundo Nonato passa a usar suas habilidades para exercer o poder sobre detentos e funcionários do presídio.

Estômago é um ótimo filme e serve para mostrar como as micro relações sociais são organizadas por meio dos jogos de poder, onde muitas vezes o carisma, a persuasão e sedução são armas poderosas.

            
Estômago


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

JOÃO DÓRIA, O GRANDE PREFEITO DE SÃO PAULO

Filho de pai político, João Dória Jr. tem uma fortuna avaliada em 180 milhões
Mesmo com apenas um mês de mandato João Dória Jr. vem sendo e será o melhor prefeito de São Paulo. 

Entre os eleitores, ao que parece, sua popularidade e aceitação é alta, mesmo com as atitude polêmicas que vêm tomando (algumas delas serão apresentadas ao longo do texto).

Mesmo rejeitando a política, Dória é um político por excelência, com talento e perspicácia suficiente para deixar seus críticos a ver navios e cair nas graças do povo. Para entender esse fenômeno é preciso se afastar do senso comum, geralmente utilizado ao analisar a política. O mundo político, aliás, é um mundo à parte, que deve se analisado sempre a partir das sua estrutura e funcionamento. Fora isso, nos arriscamos a cair nos idealismos que sempre nos contraria.

Abaixo, os cinco motivos que fazem de João Dória Jr. um grande político e um dos grandes nomes ao governo do estado de São Paulo e, quem sabe, à presidência da república.


JOÃO DÓRIA COSPLAYER



Nicolau Maquiavel em sua obra O príncipe já dizia que um príncipe deve ter o povo ao seu lado. Ao mesmo tempo indicava que, para conhecer a natureza do povo é preciso saber tramitar nos dois universos, da realeza e do povo. Em seu primeiro dia à frente da prefeitura, Dória surpreendeu ao aparecer vestido de gari, deixando adversários e eleitores surpresos. 

Duas questões podem ser analisadas nessa atitude: primeiro, ele surpreendeu àqueles que esperavam uma atitude típica de um empresário milionário. Assumiu a postura que Maquiavel cita no seu capítulo XIX, emprenhou-se em parecer, mesmo distante de ser.

Nesse caso, assumiu a condição de povo, mas não o povo da Vila Madalena, dos hipsters, hippies, descolados ou progressistas. Ele vestiu a roupa de um gari, profissão invisível aos olhos da maioria e, mesmo que tenha dado apenas uma varrida, conseguiu a empatia da população. 

Em segundo, ele apenas assumiu provisoriamente a condição do povo, logo, retornando ao que é, um homem bem sucedido. E nisso ele sabe que o povo não gosta que seus líderes sejam um igual, aspira-se no líder a imagem do sucesso. Nessa transição, outro recado é dado: se você trabalhar muito, logo chegará onde eu cheguei

Nessa simples atitude, o prefeito aplica a moral protestante baseada no trabalho, como forma de alcançar os objetivos. Não sem propósito, escolheu profissões que exigem acordar cedo e grande esforço físico. No corações dos mais humildes, foi preciso coragem e disposição para assumir a fantasia de gari, pintor, fiscal de trânsito e, nesse momentos, Dória virou o João trabalhador. Essa é a lógica que permeia o imaginário brasileiro, a de que toda fortuna é fruto de trabalho, mesmo que seja impossível acumular uma fortuna de R$ 180 milhões apenas com o trabalho. Mas, essa parte, os ricos escodem e esse discurso os pobres compram, sem questionamentos. Afinal, políticos de direita e esquerda sempre apelaram para o populismo e a população gosta.

JOÃO DÓRIA MIDIÁTICO




Numa cidade com tantos problemas, nosso prefeito cosplayer decidiu comprar uma briga: acabar com as pichações e decretar guerra aos pichadores. Nesse pensamento tornou a cidade cinza, surpreendendo mais uma vez toda a população.

Como homem ligado ao meio publicitário, ele sabe que esse esforço midiático em avaliar uma gestão em apenas um mês o colocaria no centro das atenções. Mesmo impossível qualquer avaliação em tão pouco tempo (e João sabe disso), ele utilizou muito bem os holofotes, afinal, na emergência por notícia é preciso demonstrar trabalho, mesmo que esse trabalho seja o de enxugar gelo, como o de pintar de cinza um dos maiores murais a céu aberto da América Latina e, logo em seguida, anunciar ações para combater sua ação inútil (a restauração dos grafites apagados custará em torno de R$ 800 mil).

Outra jogada de mestre foi eleger para a cidade os seus inimigos. E quem foram os escolhidos? Os pichadores! Sim, eles mesmos, que em meio à crise econômica sequer faziam parte do últimos debates sobre a cidade, ressurgiram por meio da atitude altruísta do nosso prefeito de livrar a cidade desses vândalos. Como o pastor que faz a propaganda do demônio para, em seguida, poder expulsá-lo. 

Uma das maneiras de se controlar a massa é introjetando nelas o medo ou criando inimigos, em seguida, oferece-se uma saída para esse medo ou para combater esses inimigos. Foi essa jogada psicológica de quinta categoria que Dória usou na sua guerra contra os pichadores. Tudo isso com palavras que têm em si unanimidade, como limpeza, cidade linda, vândalos, inimigos da cidade, cuidado, respeito etc. Ele mostrou que sua causa é justa. E quem diria que não é?

Novamente, todo o conceito de arte, grafite, artistas de rua, tornam-se distante daquilo que o povo conhece. No momento em que o debate acerca das suas atitudes toma conta, ele ganha tempo para pensar e agir. E até mesmo agir sem maiores repercussões.

JOÃO TRABALHADOR



Atrelada a lógica de que a única saída para a crise é o trabalho, Dória incentiva para que toda a população trabalhe para vencer na vida (vide os motivos que o levaram a fazer cosplay). Como bom empresário que é, sabe  muito bem o poder que tem um tapinha nas costas do funcionário, acompanhado de "um dia você chega lá".

Quem quer dinheiro precisa trabalhar. Quem trabalhar não tem tempo a perder, então, é preciso aumentar a velocidade das marginais, pois São Paulo não tem tempo a perder. Além disso, nosso prefeito trabalhador sabe que a alegria do consumidor individualista é ter assegurado o direito de usufruir dos seus bens, sem a interferência do política. Assim, se o carro diz que pode correr em tal velocidade, quem é que vai impedir? 

Na mentalidade periférica da nossa população não existe esse coletivismo de esquerda, os problemas são individuais e quem puder que resolva sozinho. Se morrem cem ou duzentos, que as soluções sejam tomadas, desde que não interfiram no direito de comprar, ter e usar, afinal, foi fruto do trabalho e nada mais justo que usar o carro como bem entender.

Sobre os benefícios da redução de velocidade? Enfim, pode morrer um ou outro ali, mas depois todos acostumam, às mortes e à nova velocidade.


JOÃO DÓRIA BUSINESS MAN




Na sua faceta homem de negócios, a promessa de tornar a cidade um grande palco de investimentos agrada. Empresas e empresários são isentos de culpa quando o assunto é crise. Aliás, eles sempre aparecem como a esperança para sair da crise, gerando emprego e oportunidades. Por isso, João Dória foi eleito, por ser um empresário, gestor e não um político. Como homem de negócios ele sabe que o que mais agrada é a expressão você não precisa pagar nada ou isso é de graça. É nessa filosofia que empresários de alma boa vêm brotando da terra para fornecer dinheiro de reforma para ponte, tintas para pintar a cidade de cinza, carros para socorrer as vítimas do trânsito após o aumento da velocidade nas marginais.

Como um bom liberal conservador, nosso prefeito sabe que não existe almoço grátis, a contrapartida terá que ser dada em algum momento, de alguma forma, mas quem se importa, a sensação de ter ganhado algo compensa qualquer valor posterior que será pago. Por isso, ficar atento às colunas sociais e ao jantares milionários se faz necessário, pois é entre um gole de whisky e outro é que a cobrança vem, em forma de licitação, facilitações e contratos.

JOÃO DÓRIA O POLÍTICO DOS POLÍTICOS


Entrelaçado a tudo isso vem o seu golpe maior, o discurso da negação da política

No momento em que todos perderam, com razão,  a esperança na política, desenvolvendo um ódio à classe política, nada melhor que um discurso que se afasta da política

Dória utilizou-se da velha estratégia do galanteador, que para se aproximar da mulher cobiçada finge amizade com o objetivo de conquistá-la. A todo o momento ele se disse gestor para assumir um posto político e fazer política, mas disfarçada de gestão (o que afinal é a mesma coisa, principalmente quando se fala do posto de prefeito da cidade). Na verdade o povo não se importa de ser enganado, mas ele exige que alguém o faça com maestria e é isso que nosso prefeito tem feito perfeitamente.

Ele tem uma imagem que cativa, atitudes que se aproximam do ethos conservador da cidade, ele prega a ética do trabalho, tornando qualquer outra atividade marginal e desnecessária, ele representa o que todos querem ser, mas nunca serão, nem nos sonhos. É por esse e outros motivos que, independente da ideologia, sendo contrário ou à favor, uma coisa não podemos negar, João Dória já entrou para história como o futuro grande prefeito da cidade de São Paulo.




ALGUNS LINKS DE REPORTAGEM SOBRE O GRANDE PREFEITO


- EM 25 DIAS, DORIA SE REVELA UM GESTOR DO PASSADO

LINK: http://www.blogdokennedy.com.br/em-25-dias-doria-se-revela-um-gestor-do-passado/

- DÓRIA TERIA DESVIADO 6 MILHÕES DE CRUZADOS QUANDO PRESIDENTE DA EMBRATUR NO 80
LINK: http://www.esquerdadiario.com.br/Doria-teria-desviado-6-milhoes-de-cruzados-quando-presidente-da-Embratur-nos-80

- DÓRIA VOLTA A PERMITIR QUE GUARDA RECOLHA COBERTOR DE SEM-TETO EM SP











domingo, 29 de janeiro de 2017

O QUE É O FEMINISMO?


A incapacidade de entender o feminismo como uma luta plural e de suma importância para as mulheres, recai na incapacidade de buscar entender a história desse movimento de maneira isenta e crítica. 

Sabe-se hoje que é impossível falar de um feminismo mas, de movimentos feministas que variam de acordo com o tempo e espaço. O movimento ao longo de sua trajetória se mostra diversificado, mas nunca sem importância.



Numa simples frase como "meu corpo, minhas regras" existe uma história de luta, onde as principais atoras podem, muitas vezes, não saber que estão fazendo parte de uma luta, agindo pela consciência e pelo senso do dever.
Esse resumo elaborado pelo canal Philos TV é um importante começo para quem quiser adentrar um pouco na história do feminismo, sem passar vergonha.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ANALFABETISMO DIGITAL



Com o advento das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC) um mundo todo começou a se construir a partir de meados da década de 90, a Internet, a grande responsável por transformar as formas de comunicação, acesso à informações e relações sociais.  

Se por um  lado não ficamos mais tão dependentes das formas e meios tradicionais de comunicação, por outro, entramos numa rede confusa, onde a Internet com suas redes sociais, tornam-se uma armadilha constante à serviço dos preconceitos, da violência para aumentar cada vez mais a manipulação e ignorância em relação ao contexto político.


MISTURA PERIGOSA

Numa sociedade onde a capacidade de leitura e interpretação de texto é um obstáculo, aliado a alienação em relação à política e aos próprios problemas sociais, as tecnologias tornam-se armas perigosas. Sujeitos pouco habituados ao discurso racional, coerente e argumentativo encontra, nas redes sociais da Internet, o ambiente ideal para extravasar todo tipo de pensamento equivocado e violento.




Categorizo esse novo sujeito de analfabeto digital, numa mistura de analfabeto funcional, porém, com habilidades suficientes para comprar um smartphone e partir rumo à terra encantada do tudo pode das redes sociais.

A grande diferença do analfabeto funcional (aquele que lê o suficiente para pegar um ônibus, por exemplo) do analfabeto digital é que, o primeiro se vê numa situação de exclusão da sociedade (ver vídeo da definição dada pela pedagoga Telma Weisz). Já o segundo se está totalmente incluso, por justamente está em um patamar diferenciado e pelo fato de sua educação permiti-lo participar do mundo mágico do consumo tecnológico. Nesse sentido, ele não possui a mesma retração social do primeiro caso, pois a sociedade de consumo o inclui pelo simples fato de ter acesso a Internet. 


Essa inclusão lhe garante o direito de participar, porém, sempre de forma incompleta, para não dizer equivocada, distorcendo a realidade a partir de uma leitura incompleta, superficial e sempre tendenciosa. 

ÍNDICE DE IGNORÂNCIA
Uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos Mori, em 40 países, mostrou que as pessoas têm uma interpretação equivocada sobre a realidade. Entre os temas abordados, estava questões como desigualdades sociais, preconceitos, imigração, homossexualidade, aborto, níveis de felicidade etc. 

A pesquisa intitulada "Os perigosos da percepção" (ver aqui) comprovou, por exemplo, que em determinados países, a percepção que as pessoas tinham do número de imigrantes era maior do que o real, ou que o nível de distribuição de renda era mais igualitário quando de fato os números mostravam o contrário.



Com as redes sociais essas falsas percepções aumentam, pois considera-se o mundo virtual como a expressão do real e, pior, muitas vezes os usuários acabam acreditando em informações extremamente duvidosas.

Esse nível de ignorância aumenta quando a propagação de informações se limitam ao compartilhamento de postagem onde as pessoas sequer leem, simplesmente ocorre uma afinidade com o título da postagem a imagem que acompanha e pronto, é o suficiente para que a pessoa compartilhe a postagem, acompanhada de um verdadeiro tratado filosófico da ignorância

Em um dos vários casos, uma pessoa compartilhou uma notícia de 2013 para criticar uma fato ocorrido em 2016. Quando sutilmente eu indiquei a data da reportagem, a pessoa, sutilmente, apagou sua postagem. Ou seja, ela não se deu conta da data do acontecimento. Da mesma forma que, analfabetos digitais não ligam para questões como tempo e espaço, tudo flutua numa órbita única, sem temporalidade, sem contexto, sem nexo algum, a não ser para ela.

PREPOTÊNCIA E ANTI-INTELECTUALIDADE

Analfabetos digitais não leem e têm raiva de quem lê demais, por isso, atacam. O pior que seus argumentos são vazios, pois não leem aquilo que defendem. Aliás, suas causa são alheias a qualquer teoria, conjuntura ou embasamento prático. A filosofia do eu acho impera, firme e forte.

Um estudo da Universidade de Stanford mostrou que, apesar da familiaridade com as novas tecnologias, crianças e jovens são inábeis me reconhecer uma notícia ou informação falsa de um conteúdo verdadeiro (ver reportagem aqui). Se a pesquisa contemplasse o universo adulto, o resultado não seria tão diferente.

A solução viável para esse tipo de situação é apostar em uma educação para esses novos ambientes, que mostre os perigos em meio ao mundo de facilidades e benefícios que são amplamente divulgados por aqueles que têm apenas o interesse de vender tecnologia, para uma massa ignorante que consumirá de forma alienada e irresponsável. 

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