"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

PÁGINAS

domingo, 10 de setembro de 2017

MINHA VELHA AMIGA


Desde que me entendo por gente ela me acompanha, mas durante muito tempo eu não tinha uma denominação, eu apenas sentia. Pior fase. O fato de ser filho único, poucos ou nenhuma amizade de fato e a superproteção dos meus pais, colaboravam para que os momentos de depressão acontecessem com frequência.
Na juventude isso só piorou, com a fase de incertezas, onde a pressão dos grupos era forte e um outro agravante, a timidez. Não sei se há uma correlação entre um e outro, mas esse fatores sempre dificultaram minha vida. Depressão e timidez. Com o tempo fui aprendendo a lidar com a depressão. Às vezes, ela chegava e ficava muito tempo, outras vezes era só uma dor passageira. Naquela época como hoje, bastava um simples acontecimento e o gatilho era disparado. Pior sensação. Hoje me considero melhor, mas ainda tenho medo, ainda sofro.
Vejo que muitos dos meus alunos sofrem do mesmo problema. Nos últimos anos vi pessoas perdendo a batalha para essa doença e toda vez que isso acontece fico muito triste, pois eu sei um pouco do que a pessoa sentiu, da dor profunda.
Percebo que, na maioria das vezes, o grande problema das pessoas que possuem depressão está em casa. Há ainda muito equívoco, muito preconceito. Não se aceita o problema como uma doença. Costumam dizer que "é frescura", "é preguiça" e por aí vai. Isso quando não começam a encher a pessoa de "por quês". Pior coisa, pois nos sentimos culpados. Não, não temos culpa. Ela é mais forte, incontrolável, silenciosa.
Acredito que a questão da depressão envolve, por parte de quem quer ajudar, educação para o tema. A capacidade de escutar o outro e estar sempre que possível presente. Tal como a gripe ou o diabetes, é uma doença e precisa de atenção, principalmente num momento que os números só aumentam, assim como os casos de suicídio vêm cada vez mais tomando conta dos noticiários.
Enfim, é só um desabafo.

sábado, 5 de agosto de 2017

A TRISTEZA COLETIVA

Imagem do filme "Ladrões de bicicleta" (1948), de Vittorio de Sica


Estamos num momento de crise, isso é certo. Porém, não um simples momento de crise econômica apenas, e sim uma total crise de paradigmas, de transição, de fluidez nas relações, instituições e de tudo aquilo que tornava nosso mundo sólido e ilusoriamente "seguro".

E não hesito em afirmar que a situação não tem previsão de melhora, durará ao menos uma década ou mais. E acredite, não é uma previsão fruto de um pensamento pessimista, é apenas a verdade.

Não quero com isso aqui ficar apontando culpados, entrar no mérito da conjuntura política ou buscar explicações de como entramos nessa. A crise é geral, e por que não dizer, necessária.

Diante disso, percebo que entramos num processo de desânimo coletivo, o que denomino como uma tristeza coletiva.

Sou professor do ensino médio e percebo isso em meus alunos, desanimados com as falsas promessas, com o futuro incerto e desesperançosos com os diplomas oferecidos, que não são mais que cheques em branco.

Entre meus colegas o quadro não muda, a mesma sensação de tristeza coletiva. Desemprego, queda da renda, o custo de vida, a situação do país, que sem sinal de melhoras não permite otimismo. Nunca se falou tanto em depressão, nunca recorremos tanto a remédios e demais alternativas para enfrentamento da crise. 

Recentemente, a morte de dois astros do rock deixaram todos chocados, surpresos e preocupados. Estou falando de Chris Cornell (um dos nomes do movimento grunge) e de Chester Bennington, vocalista da banda Linkin Park. Ambos cometeram suicídio, num momento em que suas carreiras eram estáveis e que, diferente dos demais, levavam uma vida que a maioria gostaria de levar, com reconhecimento mundial, dinheiro, viagens e shows pelo mundo inteiro. 

Esses dois, entre outros tantos que eu poderia selecionar demonstram que vivemos numa sociedade onde todos precisam de cuidados, onde o debate sobre o uso e abuso de drogas (sejam elas o refrigerante comprado no mercado ou as substâncias adquiridas ilegalmente), deve passa por um questionamento filosófico de extrema urgência: afinal, que sociedade queremos?



Não tenho essas repostas, e nessa altura você deve estar pensando que esse texto é pessimista e que não vejo solução. Ao contrário, percebo que se faz necessário repensarmos nossas vidas e a forma como a conduzimos. Em linhas gerais, num momento onde a tristeza é coletiva, os enfrentamentos devem ser coletivos. A resistência deve vir dos pequenos atos, da união e da celebração de coisas simples, porém, importantes.

É necessário que conversemos mais, pessoalmente. A valorização dos encontros e reuniões de grupos, os passeios livres e descomprometidos, uma volta a um passado onde, com muito pouco, as pessoas tinham a capacidade de rir e perceber que não estavam sozinhas.

Esses pequenos atos não resolverão os problemas de toda conjuntura da crise atual, mas irão com certeza nos fortalecer para o que vem pela frente.

Pensem nisso!


domingo, 2 de julho de 2017

A ESCOLA INÚTIL



Essa semana uma notícia me deixou muito triste, para não dizer abalado. A morte de mais uma aluno, ao qual eu tive o privilégio de conviver por durante três anos.

O enredo sempre o mesmo, um assalto, um tiro, a bala, uma vítima. Morte.

Não sei dizer quantos alunos, ao longo da minha carreira se envolveram nessa tragédia cotidiana, seja do lado da vítima, seja do lado dos culpados, no caso, aqueles que se envolvem com a criminalidade. Destes últimos, o destino também não reserva grandes novidades, a prisão ou a morte.

Trabalho numa escola que acolhe esses alunos. Aliás, o que todos esses atores têm em comum é a escola. Todos passam por ela em algum momento da vida. Médicos, atendentes de telemarketing, vendedores, dentistas, comerciantes, estudantes universitários, assaltantes, vítimas.

E o que a escola faz? Nada.

É complicado perceber que a crise no sistema educacional transformou escola, como a que trabalho, em repartições públicas. Não mais que isso.

Papéis, notas, relatórios, queixas, livros de ponto, assinaturas, horários, punições, cafézinho e só. 

Educação? Não se discute muito, fica em segundo plano.

Bullying, depressão, problemas familiares, violência no bairro, situação política, a formação do cidadão, ética, cidadania, o ser, os sujeitos, o coletivo, a comunidade. Raramente entra na rotina e quando entra, sempre de forma tímida, pra não dizer quase inócua, sem repercussão.

Não culpo aqui os sujeitos envolvidos nisso (professores, funcionários e gestores), mas, há uma ordem nisso tudo. Políticos ordenam, burocratas supervisionam e vigiam, submissos obedecem.

A pergunta que fica é: para que serve uma escola que não consegue alterar o curso de vida de milhões de vida?

A lembrança que tenho desse aluno, mesmo quando não dava aula para ele era de, toda vez me ver e me cumprimentar: "E aí Alex, beleza!?". Esse gesto simples mostrava um respeito grande pela figura do professor, além de uma afinidade. Não esqueço desse gesto. Não esqueço de brincar com ele no primeiro ano, quando namorava uma outra aluna. No último ano, quando participou de um projeto das aulas de Sociologia. Estava bonito de roupa social.

Uma escola que não consegue impedir que jovens entre na criminalidade para matar outros jovens, que não consegue fazer refletir valores éticos e sociais, que não consegue mostrar alternativas e ativar no ser humano sua humanidade, é uma escola inútil, não serve para nada.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O QUE NOS RESTA EM MEIO À CRISE?



No dia 27 de Junho, a Polícia Federal suspendeu a emissão de a passaportes alegando crise orçamentária. Isso serviu para demonstrar o tamanho da crise que atinge o país, onde as liberdades individuais estão limitadas por questões econômicas.

Infelizmente, a percepção é que a crise está em todo o canto: comércios fechando; desemprego em larga escala; casas com famílias inteiras sem trabalho e sem condições de extrair renda de outras fontes; controle nos gastos; aumento da violência; enfim, a situação está caótica.


Mas, a crise não é apenas um assunto para os cadernos de economia dos jornais. Ela atinge principalmente as nossas relações e interações, atinge nossa autoestima, cria situações complicadas nos relacionamentos. Resumindo, na crise tendemos a amar menos, a brigar mais e perder as esperanças e, porque não dizer, o tesão.

Acontece que, em momentos como esses, situações provocantes surgem para re-significar o próprio sentido da vida e os rumos que devemo tomar.

O historiador francês George Duby, num livo sobre a Idade Média, argumentava que em momentos de miséria há uma solidariedade maior, pois o reconhecimento da igualdade em meio a um contexto de escassez é bem mais comum do que em momentos de prosperidade, onde pessoas se diferenciam por elementos variados.

Pois bem, uma das lições que as crises nos ensinam é a fragilidade de determinadas organizações sociais, principalmente as que se baseiam na superficialidade das relações de consumo, na ilusão de criada pela sociedade midiática, que com as redes sociais se amplia.

A crise mostra nossa pequenez diante de interesses externos, que vêm em sujeitos comuns meros números, mão de obra barata, massa de controle e muitas vezes um problema supérfluo.

Então, a pergunta que Lenin colocava: O que fazer?




A questão é que a crise nos coloca num dilema existencial, decidir se queremos jogar o jogo que nos é colocado e tentar sair dela (a crise) por meios já estabelecidos ou inverter a ordem das coisas e promover transformações que nos façam resistir.

Entendo que é preciso resistir e buscar uma nova significação para a vida, pois a crise mostra nossa fragilidade diante do sistema e pior, que realmente não temos nada e que podemos perder cada vez mais.

Assim, a única coisa que nos resta somos nós mesmos e nossa capacidade de reflexão. Porém, essa reflexão não deve se render a ilusão de um mundo hedonista, colorido e feliz, vendido amplamente na sociedade pós-moderna. Nossa reflexão deve ser capaz de nos fazer entender essa complexidade da vida, que é pautada por momentos difíceis, dor e sofrimento. É a partir dessa consciência que devemos construir um novo mundo, onde a nossa ação seja guiada em meio a reflexão de que viver é sofrer.

Somente eliminando as ilusões de uma felicidade virtual, instantânea e superficial é que poderemos, com os pés nos chão, seguir por uma vida consciente.

Conscientes da nossa fragilidade, do sofrimento e de que não temos nada, veremos que a única coisa que realmente possuímos é o outro. Então, se quero construir minha felicidade, devo contruí-la com o outro, certo que isso não é tarefa fácil em meio aos problemas.

Antonio Gramsci, pensador italiano, colocava que a palavra de ordem deveria ser o pessimismo do intelecto e o otimismo da vontade. Pois é assim que devemos encarar, uma consciência pessimista e esclarecida diante de uma realidade, caminhando ao lado de uma ação otimista, pronta para transformar a realidade.

Em meio a crise temos nossas vidas, temos uns aos outros e a pergunta que fica é: será quer precisamos de mais alguma coisa?



domingo, 7 de maio de 2017

APROPRIAÇÃO CULTURAL

Apropriar-se do elemento de uma cultura, sem levar em conta os sujeitos que dela participam, pode ser entendido como apropriação cultural. Em sentido geral, o mercado transforma em mercadoria de consumo tudo que se possa imaginar, inclusive artefatos culturais.

A grande crítica à apropriação cultural reside no fato de "roubar-se" esse elemento, mas sem o respeito mínimo à cultura e às pessoas que dela participam. Sendo assim, no caso do turbante, as pessoas o reconhecem como algo interessante e o bonito, quando aparecem em mulheres brancas, padrão de beleza instituído. Mas, e quando mulheres negras resolvem sair às ruas com seus turbante? 

Isso pode se pensado de outras formas. Por exemplo, na minha carreira de professor do ensino médio, percebo que diversos adolescentes, seguidores da umbanda ou candomblé, têm dificuldades de afirmar sua religião publicamente na escola. Pelo simples fato de perceberem toda um preconceito violento contra essas religiões. Afinal, o cristianismo, como herança de uma colonização européia, é instituído como a religião oficialmente aceita, principalmente por ser de cor branca. 

Jovens se apropriam do termo "macumba" para descrever de forma pejorativa essas religiões, de matrizes afrodescendentes. Ou seja, o termo é apropriado de maneira extremamente equivocado contra os próprios sujeitos da cultura. 



SER OU NÃO RADICAL

Nesse contexto, o radicalismo de alguns grupos é condenado, como no caso da menina com câncer que estava usando o turbante. Mas, por  que alguns grupos insistem no radicalismo?

Porque ele é necessário em alguns contextos, mesmo reconhecendo os ricos de se ultrapassar alguns limites. E o ideal é que nas se ultrapasse esses limites.

Muitos grupos que passam a defender justamente um a determinada causa, percebem que é necessário o radicalismo, para chamar atenção à luta empreendida. Um exemplo claro disso é o fato de que, o assunto apropriação cultural passou a ser discutido devido ao radicalismo de jovens que denunciaram a situação. 

A radicalização é uma forma de expor a luta e as dificuldades pelas quais passam determinados grupos, que precisam inclusive denunciar para o que a maioria da população considera como normal.

Atitudes violentas, preconceituosas, racistas, homofóbicas, entre outras, são tidas como naturais perante a sociedade, sendo assim, aceitas. Quando grupos entram na empreitada de se autoafirmar e denunciar a situação, o radicalismo conduz as ações desse grupo.

Com tempo, a tendência é de que esse radicalismo de lugar a uma luta mais direcionada conscientemente.

Mas, o que é importante é manter sempre o diálogo, de forma mais pedagógica quem sabe e mostrar que todos elementos culturais devem ser respeitados, afinal, toda cultura é a soma desse intercâmbio cultural, que forma uma diversidade necessária para a humanidade.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

TRABALHO, CAPITALISMO E CONTRADIÇÃO

Cena do filme Tempos modernos, de Charlie Chaplin


No dia 28 de Abril, o Brasil foi abalado por uma greve geral contra as propostas de reforma das leis trabalhistas expressas na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), de 1943 e, contra a proposta de reforma da previdências.

A grave teve grande adesão direta, os sindicatos falam numa participação de 35 milhões, sem contar a grande solidariedade aos que não aderiram, mas entenderam que a greve e todas as reivindicações eram justas.

- AL JAZEERA http://migre.me/wxLN0
- THE GUARDIAN http://migre.me/wxLOV
- LE MONDE http://migre.me/wxLVZ


Mas, como nada é unanimidade, e ainda bem que é assim, uma parcela significativa criticou a greve os grevistas, a atuação dos sindicatos e ainda entendem que as reformas são necessárias para o bom andamento da economia, para aumentar a contratação de desempregados e diminuir esse numero que hoje chega a 13,5 milhões, segundo o IBGE.

O grande problema de quem busca analisar as questões referentes ao trabalho - incluindo temas como emprego, salário, crescimento econômico, entre outros emas relacionados - e o de pensar sempre numa perspectiva microssocial das relações, além de pensá-las no campo de situações ideias. Não consideram o que está no cerne do próprio sistema capitalista e sua relação com o trabalho.

Não obstante, cria-se a ideia de que, se os empregadores tiverem menos tributos e maiores facilidades na hora da contratação, contratarão mais, pagarão salários melhores e promoverão um equilíbrio geral na situação econômica.

Total engano, pois o sistema capitalista (e aqui deixo claro que não faço crítica de um sistema em beneficio da ideia de outro) sobrevive à custa da própria exploração do trabalho e sua mão de obra, que são os trabalhadores. 

Um exemplo básico disso é a lucratividade dada por meio do trabalho análogo à escravidão, que é mais do realidade no Brasil, sustentada por indústria dos mais diversos setores. A lista de empresas envolvidas é grande:

Link da lista em PDF: http://migre.me/wxMaf

Para se ter uma ideia prática de como funciona esse sistema, é só assistir ao excelente documentário The true cost com direção de Andrew Morgan (disponível na Netflix), de 2015, onde aborda a indústria da chamada moda rápida, que acelera a produção o lançamento de novas roupas, a preços baixíssimos no mundo inteiro, mas que esconde uma cadeia de exploração do trabalho, custando a vida de milhares de pessoas. Além disso, o documentário aborda as consequências ecológicas e psicológicas do mundo da moda. Mas, o ponto central é ainda a terceirização dessas linhas de produção, que fica a cargo de países asiáticos, onde mulheres trabalham sem as mínimas condições.


Trailer do documentário The true cost (2015)

Mas o material para uma análise consistente sobre o tema não para por aí. Germinal, baseado no livro de Émile Zola e que depois virou filme, retrata as contradições que envolvem a luta de trabalhadores explorados nas minas de carvão e um burguesia distante dessa realidade, vivendo de maneira farta às custas da exploração desses mesmos trabalhadores.

Talvez, a maior contribuição do filme é a de mostrar o quanto a luta pelos direitos sociais são baseadas por conflitos, sempre  violentos, pois trata-se de relações de poder, onde o que detém o poder econômico dificilmente cedem ou estão aptos a negociação democrática ou consensual. 

O filme nos transporta até a atmosfera de uma época em que começam a ser discutidas a questão dos direitos sociais, a necessidade de uma organização dos trabalhadores por meio de sindicatos, as influências das ideias socialistas e face nefasta do desenvolvimento da economia capitalista.


Filme Germinal
Link para 2º parte: https://youtu.be/YxvC9Ow7T94


Outra produção importante para entender esse ciclo de exploração e a necessidade dos movimentos trabalhistas é o filme Daens - um grito de justiça, de 1992, que narra a história de um padre belga Adolf Daens e sua luta para denunciar a situação de precaridade nas fábricas, durante o século XIX, na bélgica. A preocupação do padre é em denunciar as mortes, principalmente de crianças, nas fábricas têxteis, para isso, enfrenta a burguesia da época e até a própria igreja, que compactuava com tais atrocidades, mesmo reconhecendo o problema. 


Cena do filme Daens - um grito de justiça


Em meio a tudo isso é importante perceber que os direitos não são dádivas de patrões ou da bondade humana, eles surgem a partir de lutas. Por trás de todo direito social existe uma luta histórica de atores sociais que, em algum momento, a partir da consciência se propuseram a lutar, pagando com a própria vida (muitas vezes), algo que te beneficia e você não dá o devido valor.

Outra questão importante é que, novamente, se faz necessário um olhar mais amplo para a questão, não individualizando-a ou analisando a partir das suas condições. No Brasil, por exemplo, existem uma série de questões poucos discutidas e são essenciais, como: a disparidades de salários, onde uma parcela ganha muito e outra (a maioria, ganha somente o salário de subsistência); o número de empregos informais, incentivado pelo próprio mercado capitalista; como o sistema se alimenta da exploração do trabalho; uma escala de cargos que ganham muito, onerando os cofres públicos em benefício próprio; a inflexibilidade do sistema que abre mão do seu lucro, para assim ganhar sempre mais; as altas jornadas de trabalho, que inviabiliza a contratação de mais empregados; e, o mais importantes, o crescimento de vagas para os postos de trabalho, nem sempre significa aumento na qualidade de vida de trabalhadores, uma vez que com a leis em aprovação, o grande cenário do trabalho será o do subemprego, isso, para todas a categorias.

sábado, 29 de abril de 2017

DEMÔNIO INTERIOR



Dentro de nós existe algo que desconhecemos, surge por meio de algum momento em nossas vidas. Não damos muita atenção, mas esse algo fica lá, quieto, sorrateiro, esperando o momento certo. 

De repente, cresce dentro da gente, toma forma, assume uma força que não dominamos. Vai se alimentando de nossos sentimentos, emoções e todas sensações que por ventura ousamos experimentar. Como numa espécie de buraco negro nos impede de viver por completo. Suga tudo, devora e cresce, ao passo que diminuímos. 
Não sabemos denominar mesmo que consultemos todos manuais, que busquemos ajuda das mais diversas formas.

Sei lá, pode até ser que de fato sabemos o que é, mas ficamos refém, como numa espécie de jogo de chantagem. Estamos presos. 

Invariavelmente pensamos em nos livrar dele, mas percebemos que é parte intrínseca do que somos. Acabar com um seria decretar fim do outro. Será? E então temos que conviver com esse buraco negro, que suga energia, vontade, desejos e sentimentos.  Sem esperança de ter um fim.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...