“TUDO O QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR"

KARL MARX

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

UMA IMAGEM, MIL PALAVRAS (OLHAR SOCIOLÓGICO)

              Observar a realidade à nossa volta é um exercício sociológico básico. Gestos simples podem esconder toda uma complexidade de sentidos que, na correria do cotidiano, deixamos passar desapercebido. 
              O mesmo pode ser feito com a observação de fotos (aliás, a revelação de fotos, na era digital é algo cada vez mais raro). Você já parou para revirar as fotos no seu baú de fotografias, e analisar cada uma delas se perguntar: "Quais pensamentos estavam passando na cabeça das pessoas naquele momento?", "O que estava acontecendo nessa época?", "O que mudou?" etc.
              Segue abaixo algumas fotos para que vocês façam essa reflexão:


Foto do francês Corentin Fohlen de um protesto em Bangcoc, Tailândia (2010)

Foto do francês Olivier Laban-Mattei. Homem jogando o corpo de uma criança, em um depósito do hospital geral de Porto Príncipe, capital do Haiti, após o terremoto que devastou a cidade (2010).

Foto do espanhol Samuel Aranda, imagem tirada do dia 15 de Outubro de 2011, numa mesquita, durante os protestos do Iêmen. Na imagem uma mulher consola um ferido durante a revolta.

Foto do chinês Chen Qinggang, tropa recua para resgatar sobrevivente, em Beichuan County, China (2008).

Mulher tenta resistir à desocupação de terra, Manaus (2008), foto de Luiz Vasconcelos.

Foto de Bren Stirton, evacuação da morte de Gorilas das Montanhas, Parque Nacional de Virunga, no Congo (2008)

Foto do autraliano Tim Clayton, da Escola de Balé Australiana de Melbourne (2003).

                 Caso queira conferir mais fotos, acesse o site do Word Press Photo, que todo ano premia as melhores fotos do ano, em diversas categorias: http://www.worldpressphoto.org/

Alexandre Ramos



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

LARS VON TRIER

         Não vou comentar sobre esses dois filmes do diretor dinamarquês Lars Von Trier, o primeiro filme, Dançando no escuro, tem como atriz principal a cantora islandesa Björk, numa atuação primorosa. O segundo, Melancolia, a atriz Kirsten Dunst impecável. Ambos os filmes de uma sensibilidade única, que exige do espectador muita atenção e envolvimento.
             Sobre Melancolia, só posso dizer que é o melhor filme sobre "o fim do mundo" que já vi.
             Assistam e deixem suas opiniões.



DANÇANDO NO ESCURO (2000)

MELANCOLIA (2011)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CASA DE CULTURA DA PENHA

      
        Localizada no Largo do Rosário – no bairro da penha, em São Paulo – a Casa de Cultura da Penha (fundada em 1970) abriga a Biblioteca José Paulo Paes, o teatro Martins Penna e diversas salas para realização de atividades culturais. No seu funcionamento atendia estudantes do ensino fundamental e médio, professores, o pessoal da terceira idade e promovia diversos cursos, atendendo os moradores do bairro da Penha e seu entorno.
            Em junho de 2010 ela foi fechada para reforma, com prazo de finalização das obras em 180 (seis meses). A obra, responsabilidade da Lima de Castro Engenharia e Montagem Ltda., custariam aos cofres públicos R$ 1.578.482,90 de acordo com o especificado pelo painel instalado pela prefeitura em frente ao local.

            Passados um ano e meio, o que se vê é um cenário de abandono completo e nenhum sinal de que as obras estejam em andamento. Enquanto isso, um espaço de extrema importância para a população que mora na região fica indisponível para utilização.
            Encaminhei um e-mail para a subprefeitura da Penha, aguardo explicações, mas acredito que é necessária uma mobilização maior para que esta obra fique pronta e possa colocar em funcionamento um aparelho público tão importante.

            Enfim, conto com a ajuda de vocês.

            Maiores informações pelo blog O HOMEM DA SUCURSAL, que tem uma reportagem sobre o fato. Clique no link. (A fotos foram tiradas deste blog)

            Para a Ouvidoria da Prefeitura de São Paulo, clique aqui.
            Para o SAC da Prefeitura de São Paulo, clique aqui.

            Mais uma vez obrigado a todos pela ajuda.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

EM PARIS COM WOODY ALLEN

      
        Desconfio quando as pessoas tratam dos filmes do Woody Allen com unanimidade, aliás, como diria Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra, por isso, desconfie sempre quando há uma concordância por parte da maioria.
         Não que Woody Allen seja popular ou que seus filmes estejam próximo de blockbusters, pelo contrário, o diretor norte americano ainda é  desconhecido de maioria (literalmente). Adoro quando cito-o e alguém diz que não vê graça em seus filmes, geralmente, costumo agradecer por ainda fazer parte de um publico seleto.
            Meia noite em Paris, filme de 2011, que gerou polêmica pela participação da primeira dama francesa Carla Bruni, mas longe dessas especulações secundárias, o filme representa a essência dos filmes de Woody Allen. Primeiro porque não o vejo como um diretor de filmes de comédia, mas sim como filmes que retratam, antes de qualquer coisa, os sentimentos de afetividade, entre eles, o amor. Por isso, seus filmes têm uma dose de comédia, pois o amor é um estado de leveza que nos leva a situações simples, porém, graciosas e, por que não, engraçadas. Neste o filme o amor se destaca, é só reparar nos diálogos que o protagonista tem com Hemingway.
           Em segundo lugar, porque Allen nos leva à Paris, mas não a Paris hollywoodiana ou a dos turistas canibais da nova classe média emergente. Somos transportada a uma Paris dos sonhos e dos sentidos, das grandes personalidades, dos verdadeiros sentimentos e de uma aventura poética.
             Em nenhum filme do Woody Allen veremos a luta de classes sendo retratada, o que é um acerto, pois a vida de uma elite é o pano de fundo de suas tramas, que está distante da vida da maioria do próprio público que assiste aos filmes de Allen. Por isso, o considero uma espécie de Gilberto Braga dos intelectuais, afinal, até mesmos os filósofos gostam de projetar aquilo que eles não tem no dia a dia, no caso, a vida de riqueza em sem preocupações mundanas referentes ao dinheiro, dívidas, trabalho etc.
               Por último, Meia noite em Paris nos mostra como somos aficionados pelo passado, como se ele fosse melhor (daí as frases: "no meu tempo..." ou "antes era tão bom..."). Não ele não é melhor, apenas nos livra da dureza da realidade do presente, daí a tristeza que muitas vezes nos assola ao pensar, demasiadamente, no passado. Este não pode ser negado, tem que ser vivido e enfrentado, isso não impede que o amor (verdadeiro) e a poesia façam parte desse presente. 
                É isso, ao assistir esse filme tive vontade de perambular pela cidade e encontrar, quem sabe, as minhas personalidades prediletas e com elas aprender um pouco sobre a vida. Enfim, este texto foi escrito um pouco depois da meia noite, em São Paulo e em algum lugar no tempo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

                                                                               FICHAMENTO

            Texto: RAMALHO, J. R. Trabalho na Sociedade Contemporânea, in: Sociologia: ensino médio. MORAES, A.C. Ministério da Educação (coord.). Brasília: págs. 85 a 102.
         
            O artigo procura explicar as transformações sofridas da sociedade por meio do trabalho, a partir da década de 70 o sistema capitalista de produção passa por reestruturação, o que afeta todas as sociedades em âmbito político e econômico. (p. 85)
            A organização do trabalho, tal como conhecemos, inicia-se na Revolução Industrial e é tema base da sociologia, todos os autores clássicos (Durkheim, Marx e Weber) têm estudos que passam pelo modo de produção capitalista surgido a partir da Revolução ocorrida em meados do século XIX, porém, é com Karl Marx que temos uma visão crítica desse modo de produção, onde a divisão social do trabalho, o domínio de uma sociedade burguesa leva o sujeito à alienação dentro do sistema de produção. (p.87)
            Ramalho faz um rápido e objetivo resumo das principais transformações ocorridas no sistema produção moderno, a começar pelo modo organizacional Taylorista, à verticalização e aceleração promovidos pelo Ford ismo, em síntese, utilizando-se dos trabalhos de Braverman, Sônia Guimarães e Antony Giddens, temos um panorama dos impactos causados com a aliança entre economia e ciência, onde esta passa a servir ao propósitos do capital, dinamizando a forma de produzir e o controle sob os indivíduos. Esse período de franco desenvolvimento tem sem auge entre a Segunda Guerra e o fim dos anos 70, onde a crise do petróleo abala as bases desse sistema, exigindo uma reestruturação (p. 86-88).
            É com David Harvey que teremos uma leitura atualizada dessa reestruturação do sistema produtivo, sobretudo a partir da derrocada dos países comunista e da configuração do modelo capitalista em todos os níveis, dessa vez verticalizada (ao invés do modelo horizontal anterior), integrado e conectado pelas novas formas de comunicação surgidas no final do século XX.
           

            A flexibilização do trabalho instala-se, pondo fim à uniformidade do sistema fordista, com o poderio cada vez maior das agora chamadas transnacionais, antigos padrões como a carteira assinada, direitos trabalhista, vínculos entre funcionários e empresas, organização sindical, direitos sociais, entre outros elementos, passa a dar espaço a precarização das formas de trabalho, contrato flexíveis de trabalho, ausência de direitos trabalhistas, burocratização dos sindicatos e o rompimento de vínculo entre funcionários e empresas. Esse sistema se baseia numa expansão constante das empresas, principalmente em países pobres ou considerados emergentes, onde a fiscalização e organização dos trabalhadores são inexistentes (p. 89).
            Essa flexibilização ocasionará uma precarização nas relações de trabalho, o setor de serviços será a base desse novo modelo, agora, vendo-se substituído totalmente pelas máquinas, resta ao trabalhador espaços de trabalhos que se distanciam da produção, mas que estão próximos da promoção e venda dos produtos fabricados (o setor de telemarketing é marca maior desse novo modelo) (p. 91).
            Essa precarização atingirá países emergentes como o Brasil, onde o modelo de flexibilização trará, em curto prazo, benefícios, porém, prejudicará o trabalhador, principalmente pelas falta de direitos e garantias conquistas no passado.
            Na última parte do artigo o autor dedica-se ao caso brasileiro e ao desmonte das organizações sindicais, que a partir de certa burocratização deixam de representar de maneiro completa todos os trabalhadores, nas suas mais diversas áreas, principalmente no setor de serviços, que se transformar em sinônimo de trabalho temporário e mal remunerado. Além disso, é possível perceber que o trabalho análogo a escravidão é uma realidade no Brasil.
            A conclusão do artigo apresenta três propostas de reflexão sobre o trabalho e os sindicatos, que entre outras coisas, aborda a questão da solidariedade entre os diversos trabalhadores, a inserção cada vez maior e mais igualitária da mulher no trabalho e as garantias sócias.
            Uma reflexão sobre a própria crise do modelo fordista e a ascensão do modelo flexível de trabalho.
            E, por último, na conclusão do artigo, o caso brasileiro é colocado como possibilidade de discussão a partir da precarização do trabalho e da formação dos trabalhadores, as contradições presentes no sistema produtivos elencando formas modernas e arcaicas dentro do mesmo sistema (a exemplo do trabalho infantil que convive em relação a toda a modernidade tecnológica encontrada nos diversos centros financeiros brasileiros) e uma nova forma de atuação dos sindicatos, pautada numa interferência política para a garantia e criação de direitos, a partir de um contexto atual.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O QUE É SOCIOLOGIA?


       "Em face do mundo considerado familiar, governado por rotinas capazes de reconfirmar crenças, a sociologia pode surgir como alguém estranho, irritante e intrometido. Por colocar em questão aquilo que é considerado inquestionável, tido como dado, ela tem o potencial de abalar as confortáveis certezas da vida, fazendo perguntas que ninguém quer se lembrar de fazer e cuja simples menção provoca ressentimentos naqueles que detêm interesses estabelecidos"
BAUMAN, Z. Aprendendo a pensar com a sociologia. Rio de Janeiro: Zahar,  2010, (p. 24)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

VIDA SEVERINA

No dia 25 de Agosto de 2011, Severina Maria da Silva, de 44 anos, acusada de ser mandante do crime do próprio pai foi absolvida. Antes que a revolta lhe tome conta eu explicarei o caso.
Severina foi violentada pelo pai durante 9 (longos) anos e teve 12 filhos, todos do pai. Mesmo realizando denuncia, a voz de Severina nunca foi ouvida de fato por aqueles que deveriam cuidar de seus direitos, o caso ocorreu no estado de Pernambuco.
Em 2005, numa atitude de desespero, Severina, ao saber que o pai, estava disposto a abusar das própria filhas (netas), não pensou duas vezes, encomendou o assassinato do algoz.
A dona de casa foi absolvida por unanimidade pelo júri.

A pergunta que fica é: Quantas Severinas existem ainda hoje no Brasil? Sem voz, nem vez, excluídas e violentadas, discriminadas . Órfãs de mãe, pai e direito.

Fontes:
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