"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

PÁGINAS

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

SOBRE EDUCAÇÃO E RESISTÊNCIA

SER PROFESSOR É RESISTIR E IR NA CONTRAMÃO EM NOME DA EDUCAÇÃO

Discurso final da Profª Carmem no encerramento
dos trabalhos apresentados
Entre os dias 10 a 19 de Setembro aconteceu, na escola onde trabalho, um daqueles projetos fantásticos, organizado e liderado pela minha grande amiga Carmem, professora de Biologia e Ciências.

Dentro de uma proposta interdisciplinar, os alunos do 1º ano do Ensino Médio foram convidados a apresentar trabalhos com três temáticas importantes: a violência contra a mulher, a gravidez na adolescência e o problema das doenças sexualmente transmissíveis.

Cada sala apresentaria esses temas de formas variadas, através de cartazes, produção de vídeo, seminário e produção da pesquisa por escrito, aos moldes de um trabalho de conclusão de curso.

O projeto envolveu professores de várias áreas, onde cada temática seria discutida de maneira ampla e interdisciplinar.

Bom, à primeira vista tudo perfeito, se não fosse os "pequenos" detalhes.

Apresentar um trabalho desse nível, com temáticas de extrema importância, atualíssimas e fundamentais pode parecer algo mais do que necessário, além de óbvio, já que estamos em uma escola e o papel dela é justamente esse, a formação para a cidadania e a plena condição humana.

Porém, logo de cara uma série de negativas surgiram. Os "nãos" tomaram conta, desde da falta de recursos necessários, até as proibições impostas por instâncias superiores que pouco ou nada entendem de educação. Executar um trabalho de tamanha magnitude é tarefa árdua e arriscada, pois os problemas externos interferem diretamente no trabalho de professores e alunos fazendo com estes fiquem à mercê da própria sorte.


A EDUCAÇÃO NA CONTRAMÃO 


Diante de várias negativas impostas e de diálogos inexistentes que impedem o pleno trabalho de professoras e professores, ir na contramão é a saída. E não é isso que se tornou a Educação?

Cada vez mais a profissão docente vem se transformando numa profissão marginal, alternativa, outsider. Infelizmente, há muito tempo, tudo o que dá certo na escola ocorre simplesmente pela atitude que determinados profissionais da educação têm em não seguir as regras impostas, em ir à favor do bom senso, seguindo o próprio senso de responsabilidade e, principalmente, agindo me nome de um consciência crítica necessária para a transformação.

Os trabalhos foram apresentados com sucesso, onde talentos foram descobertos; conhecimentos foram apresentados e adquiridos; a motivação dos alunos fizeram com que houvesse um trabalho colaborativo entre os próprios; nenhuma ocorrência foi registrada; os demais alunos das outras séries se sentiram motivados e aprenderam muito com os alunos que estavam apresentando; enfim, foi algo sublime, único e que só a Educação pode proporcionar.

A profissão docente exige cada vez mais que estejamos na contramão, quebrando regras, nos arriscando em nome daquilo que se acredita.
O trabalho proporcionado pela professora Carmem é o que faz a diferença na escola e na vida dos alunos, é aquilo que nos motiva e nos faz entender porque devemos seguir em frente, mesmo com todos os "nãos" que recebemos diariamente.

Parabéns Professora Carmem!
Parabéns alunos do 1º Ano do Ensino Médio!
Vamos seguir sempre na contramão em nome da verdadeira Educação!!!
 


segunda-feira, 17 de setembro de 2018

ELE NÃO, MAS E OS OUTROS?

BOLSONARO NÃO VENCERÁ AS ELEIÇÕES, MAS SERÁ QUE ELE SAIRÁ DERROTADO DE FATO?


Em primeiro lugar alerto que esse texto está sendo escrito de forma orgânica, sem buscar números, dados, estatísticas e outros elementos que ofereçam a ele uma fidelidade das informações apresentadas. Sua proposta é de uma reflexão de extrema importância, a saber, o efeito Bolsonaro após as eleições.

Um movimento vem tomando corpo e despontando como o momento histórico dentro do cenário eleitoral. A rejeição ao candidato Jair Bolsonaro é sem dúvida algo mais do que relevante, demonstra que uma parte significativa da sociedade rejeita totalmente seu discurso do ódio e tudo que está representado em suas declarações.

A questão central ao meu ver é pensarmos sobre os que apoiam direta ou indiretamente, sobre os altos índices de eleitores que realmente acreditam nas suas propostas e sustentam essa figura que é a personificação de uma mentalidade que existe, tomando forma e conteúdo por meio de ações e práticas cotidianas.

Bolsonaro não ganhará a presidência por meio do voto, mas será que ele realmente sairá derrotado dessas eleições?

Pensar nos milhões que pensam iguais a ele, ou que, de alguma forma "meio que concordam" com alguma coisa que ele diz é simplesmente aterrorizando. 

Significa que ficaremos livres do grande chefe, mas não nos livraremos de seus seguidores. O discurso machista, homofóbico, racista, ignorante, violento e opressor permanecerá e, então, dois cenários despontarão. De um lado, um possível fortalecimento de grupos de extrema direita que, mirando as próximas eleições irão se estruturar a partir de uma organização mais sólida. De outro lado, o silêncio pós-eleitoral se transformará em práticas intensificadas nas relações microssociais. Nesse último cenário, a guerra de todos contra todos hobbesiana será instaurada.
O movimento #EleNão #EleNunca, as milhões de mulheres organizadas contra tudo o que esse sujeito representa é algo magnífico, de uma força extraordinária, como só as mulheres conseguem. Afinal, em todos os grandes movimentos de luta e resistência elas foram e sempre serão as protagonistas

Porém, como dissolver o ódio instalado, a intolerância latente, a mentalidade racista, a resistência ao conhecimento e a ignorância generalizada?


Só o discurso contrário e as ações de resistência não funcionarão para quebrar o núcleo do ódio. Como professor, acredito no poder da Educação. Mas, em um país de educação sucateada teremos muito trabalho pela frente. Em algum momento os grupos de consciência deverão buscar, através do diálogo, meios de vencer o ódio e a irracionalidade extremista instalada, caso contrário, a barbárie tenderá a um crescimento exponencial levando o país literalmente ao caos.  

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

CURRÍCULO DO FRACASSO

VOCÊ JÁ ESCREVEU SEU CURRÍCULO DE FRACASSOS?


Ao fazer nosso currículo sempre destacamos todos os aspectos positivos de nossa experiência profissional, acadêmica e pessoal. Colocamos nele tudo o que é considerado importante, que nos dará destaque frente aos demais e nos transformará em pessoas únicas, com grandes feitos, conhecimentos importantes para a sociedade e, enfim, que irá nos valorizar. 

Nosso currículo, mesmo nos círculos de conversa entre amigos, colegas de trabalho e de faculdade é sempre uma coisa de dar inveja. Quem frequenta os grupos de pós-graduação de uma grande universidade, por exemplo, até se assusta. Não há um fracassado sequer, nada que desabone ou que mostre o insucesso.

Mas, de que vale isso para a vida em sua totalidade? A resposta é, quase nada.

Na soma de nossas vidas o que conta mais são nossos fracassos, as perdas, os caminhos errados, os empreendimentos que não deram certo. Em resumo, tudo aquilo que não vai no nosso currículo.

A soma de diplomas, cursos, grandes feitos e conquistas escondem aquilo que de fato interessa, os nossos fracassos, que irão resultar em grandes experiências.

Não, não caro leitor, não estou fazendo uma apologia à derrota. Longe disso. Apenas estou dizendo que aprendemos muito mais com os nossos fracassos, as perdas, as nossas dores, do que com os caminhos triviais que todos seguem.

Muitas vezes, lamentamos uma separação, por exemplo, um drama para qualquer casamento. Mas, é nessa trajetória da separação que aprendemos a dar valor, a mudar nossa postura, a trilhar novos caminhos, a nos desprender do lugar comum ao qual estamos.

E no trabalho? Já imaginou por quantos empregos você já passou e que não deram certo? Ao final, não juntou dinheiro, não fez o pé de meia, muito menos subiu de cargo. Mas trouxe histórias, experiências únicas que você irá carregar e que tornarão mais humano.

O filósofo alemão Nietzsche já dizia que, aquilo que não mata os fortalece. E é justamente esse currículo oculto do fracasso que possibilita essa força. É ele que nos coloca diante da realidade. Escondê-lo é um erro que muitos comentem. Primeiro por uma questão de ego, de imposição social. Segundo, porque fugimos da realidade, imaginamos e fantasiamos sempre um sucesso que de fato não existe e nunca existiu.

Diante disso, travamos um duelo estúpido para ver quem tem mais diplomas que de nada servirão; quem fez viagens lindas visualmente, mas que não trouxe experiência alguma; quem é mais feliz aparentemente, sem conseguir demonstrar a dificuldade que é manter uma aparência de sucesso; enfim, a lista é enorme.

Expor o currículo do fracasso pode nos mostrar que, aquilo que não deu certo, no fim, é o que acabou dando mais certo.

***Dedico esse conceito ao meu querido e estimado amigo e grande intelectual Wilson Luques, dono dessa expressão. Quando ele falou sobre isso, confesso que achei demais e comecei a valorizar minhas experiências, independentes de serem boas ou ruins. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

QUANDO A TRISTEZA NÃO É MAU NEGÓCIO

DIVERTIDAMENTE É UMA ANIMAÇÃO QUE NOS ENSINA MUITO SOBRE NOSSOS SENTIMENTOS E A IMPORTÂNCIA DE CADA UM DELES


É claro que você já teve aqueles dias difíceis de profunda tristeza, pior, já sentiu raiva de alguém ou alguma situação especifica e, sem falar no medo, velho companheiro que nos assombra e atrasa a nossa vida.

Numa sociedade hedonista, onde a felicidade é um bem supremo, onde esses sentimentos são tidos como errados e a todo momento são combatidos. E o que não falta são as mensagens de auto ajuda, de determinação e superação. "Não fique triste", "isso é coisa sua", "Ah! Não gosto de gente assim", "sentir raiva de alguém é ruim", enfim, umas série de frases que povoam nossa mente e que ajudam nessa culpa.


No longa metragem animado DivertidaMente esse mito é quebrado, de uma forma muito delicada e com uma mensagem forte.

Na trama, Riley é uma garota de onze de idade que tem que lidar com a mudança de cidade e a separação dos amigos, da casa onde passou a infância e todas as lembranças que fizeram sua vida feliz.

Em seu cérebro a Alegria, a Tristeza, a Raiva, o Medo e o Nojo são representados por personagens de temperamento marcante. 

A Alegria, representada por uma linda menina de cabelo azul tenta dominar a cena, não aceitando a participação dos outros sentimentos, o que vai gerar uma grande confusão ao longo do filme.

A mensagem central que fica é da importância dos sentimentos em nossas vidas, mesmos aqueles que sofrem de má reputação, como no caso da Tristeza. Saber dar espaço aos sentimentos, respeitá-los e tentar compreende-los é fundamental para manter o nosso equilíbrio mental, para o enfrentamento de desafio e para nossa autodefesa.

Afinal, o que aconteceria se fossemos alegres o tempo todo ou rejeitássemos todos os outros sentimentos? Não alcançaríamos a maturidade necessária e a capacidade de viver a realidade. Fugiríamos constantemente de situações desagradáveis e com isso limitaríamos nosso campo de atuação, além de não saber lidar com as mudanças.

Muitas vezes ficar triste é necessário, aceitar esses momentos, chorar, reservar espaço para se expressar de modo triste é importante para uma reflexão.

E a raiva? Isso é bom?

Sim, na medida certa é bom, assim como sua liberação. O mantra tão repetido de que não devemos sentir raiva é perfeitamente normal. Gritar de vez em quando, xingar, "dizer na lata" aquilo que sentimos nos libera de uma carga emocional que não podemos segura.

Assim como o nojo e o medo que nos colocam numa zona de segurança importante. DivertidaMente mostra de maneira muito didática que nossos comportamentos são apenas a ponta do iceberg, modelados pela influência cultural. Dentro de nós há um universo complexo, um enorme arquivo onde tudo é guardado e arquivado em instâncias da nossa mente.

Da mesma forma que existem memórias que precisam ser apagadas, como na cena em que o amigo imaginário de Riley desaparece. Isso acontece com memórias de traumas e de acontecimentos sem importância, onde suas recordações criariam uma sobrecarga em nosso cérebro.

Aprender a lidar com os sentimentos é condição para o nosso amadurecimento, entender esses mecanismos nos ajudam a sermos pessoas melhores para nós mesmos e para os que estão à nossa volta. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A POLÍTICA IMPOSSÍVEL

O FAZER POLÍTICA É ALGO REALMENTE POSSÍVEL PARA UMA SOCIEDADE ALIENADA?



A rotina é a mesma. Milhões de pessoas acordam cedo, saem de suas casas, enfrentam um dia atribulado em transporte precário, condições de trabalho estafante, toda a pressão social comum a um tipo ideal (Max Weber) de indivíduo comum.

Ao chegar em casa, essas milhões de pessoas irão dividir o tempo que sobra em atividades e problemas domésticos, conflitos e questões pessoais e, finalmente, ao descanso tão merecido.


A pergunta que fica é: como essas milhões de pessoas irão participar da política do seu país?


A resposta nessa caso seria a de que dificilmente irão participar, pois, o modelo de sociedade ao qual esses indivíduos estão configurados dificilmente lhes permitirá tamanha façanha.


Aristóteles já considerava o "homem" como um um "animal político". Epistemologicamente a  palavra política está intimamente ligada à pólis, a cidade, local e espaço que seria o palco de exercício da política. O cidadão, segundo Aristóteles, seria o habitante da cidade.

Contraditoriamente, a cidade é que irá eliminar a condição do exercício político, pois é nela que a lógica da alienação se impõe como fator central de organização da sociedade.

Sendo assim, a concepção de Marx está correta quando argumenta que a organização por meio do trabalho alienado condicionaria todos outros espaços e relação dentro de uma organização pautada pela alienação (veja vídeo explicativo do conceito aqui).

Para a participação política é necessária uma educação para a política e não coloco aqui a questão da educação formal apenas, mas de espaços que permitiriam a plena reunião dos cidadãos em discussões e reflexões sobre a política. A análise partindo de leituras e, com isso, possibilitar a crítica e auto-crítica como condição sin qua non para que realmente as pessoas pudessem participara da vida pública.

Mas, como fazer isso se a alienação social é uma realidade posta? Não se faz, simples assim.

O que temos é uma multidão imersa numa condição alienada, incapaz de refletir criticamente de maneira ampla, avulsa nos esquemas que organizam a política.

Entender os meios de participação, as leis, os deveres, desenvolver a sensibilidade para vida coletiva são elementos distantes para aqueles na qual o único objetivo é conseguir sobreviver ao fim do mês (veja música de Raul Seixas).

A alienação social retira dos indivíduos a sensibilidade de perceber o outro, de ir além daquilo que é posto como certo e dos caminhos rotineiros.

Dessa forma delegamos à política e aos políticos a tarefa de resolver nossos problemas à "toque de caixa". Pena de morte; bandido bom é bandido morto; mais emprego é a solução; menos direito para desburocratização; liberdade ao mercado; controle total; imposições morais às condutas divergentes; enfim, resta aos indivíduos alienados a busca por saídas que retirem deles próprios a cobrança de participação.

Uma política verdadeira só será possível com o rompimento da condição alienada imposta, o despertar da consciência crítica em conjunto com atitudes, o enfrentamento para a participação e o ocupação de espaços que a própria organização social restringe.

Caso contrário, diante desse cenário,  o fazer política na concepção ampla e eficaz torna-se algo um tanto quanto impossível.

terça-feira, 24 de julho de 2018

SMELLS LIKE A SUICIDE

     

  Era noite, lembro-me muito bem. Algo em torno das onze, sexta-feira, 08 de abril. Estava com meu primo na sala assistindo a MTV Brasil, como sempre fazíamos, quando de repente uma chamada interrompe a programação. Não sei ao certo se era um apresentador ou apresentadora, mas de forma bem direta anuncia que Kurt Cobain, líder da banda Nirvana fora encontrado morto em sua casa, em Seattle. 

  Seattle, onde toda onda grunge começou, Kurt Cobain foi o primeiro ídolo que pude ver a ascensão e queda. Porém, o susto inicial foi substituído por certa euforia. Afinal, parte dos meus ídolos havia morrido de forma trágica e com a mesma idade. Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, entre outros. Havia o glamour de morrer jovem, de forma trágica e ser imortalizado. Não os imaginaria vivos e como rockstars decrépitos do mainstream. Por isso, a morte de Kurt Cobain trouxe certa admiração, ele teve uma coragem que nenhum outro teve, foi lá e acabou com a própria vida, mesmo rico, famoso, tocando para multidões. Numa atitude total de foda-se com o mundo e tudo mais. 

  Sem dúvida, uma atitude totalmente agressiva que só o líder de uma banda de rock poderia tomar, pois nenhum outro músico ou artista faria isso. E quando se é adolescente existe um flerte com a morte, porém, de forma romantizada. Ninguém quer morrer de verdade, mas todos querem sentir o prazer de cultuar um lado sombrio, uma obscuridade dos sentimentos, renegando a vida. Mas, não a vida propriamente dita, pois se assim fosse, amantes do rock cometeriam suicídio aos montes. Talvez, a morte nesse contexto apareça como uma forma de não aceitação dessa vida imposta, rotineira, padronizada, correta, sem sentido que, em si não é vida, pelo menos não para adolescente. A morte é como uma possibilidade de renascença para uma vida de fato, com possibilidades, desafios e realizações, distantes da vida adulta comum, com trabalho, carteira assinada, cartão de ponto, chefe chato, salário sofrido no final do mês e contas a pagar.

  Em 18 de maio de 2017 morre Chris Cornell, ex-líder da banda Soundgarden, novamente, suicídio. Da mesma forma que Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam, Mudhoney, entre tantas outras bandas, o Soundgarden formava a cena grunge, que foi a trilha sonora dos gloriosos anos noventa. A “cena”, essa era expressão para se referir a um conjunto de bandas de um mesmo estilo e que compunham um cenário onde, geralmente eram bandas amigas, com identidades e ligações em comum. Aqui no Brasil, a cena era do manguebeat em Recife e das bandas alternativas de São Paulo e Rio de Janeiro, que bebiam um pouco da água do grunge.

  Em julho do mesmo ano, Chester Bennigton, vocalista da banda Linkin Park é encontrado morto. Mais uma vez, suicídio. Não gostava de Linkin Park, tanto que fui num festival com várias bandas, onde eles fariam o encerramento. Eu estava com ela e não ficamos para ver, pois simplesmente não tinha o mínimo interesse. Mas, tanto o suicídio de Chester como o de Chris Cornell me deixou bem abalado, dessa vez, não era mais um adolescente que cultuava a morte como algo romântico, mas um sujeito que se reconhecia nesses personagens, que por algum instante sentiu e compreendeu a dor de cada um deles. Foi onde tive certeza que a depressão é democrática de certa forma, pois independe de status ou condição financeira. Todos os citados tinham tudo para ser vangloriar de suas posições, serem felizes e mostrar ao mundo isso, mas ao contrário, mostraram que certas condições não influenciam na dor interna que um sujeito em depressão sente.

 Ao saber da morte desses dois últimos, diferente do momento em que soube da morte de Kurt Cobain, o primeiro questionamento que me veio a mente foi o de que se eles fizeram isso, em algum momento chegaria minha vez. Não, e não tem nada de romântico nisso.

sábado, 21 de julho de 2018

ONTEM EU MORRI... AINDA BEM!



Ontem eu morri, ainda bem!

Depois de um tiro disparado por um amigo (e quem disse que não existe fogo amigo?), acertou em cheio meu coração e minhas emoções.

Senti uma dor profunda e, numa bad trip surreal, sentado numa privada de um banheiro aconchegante, em um boteco vintage hipster, iniciou-se o processo.
Sozinho.
Aliás, sozinho não! 
Estavam lá meus demônios todos, sussurrando ao meu ouvindo "você está morrendo".
De repente, pedaços do meu eu escorriam pela boca, enquanto tentava entender o que estava acontecendo.
Ontem eu morri, ainda bem!

Amanheci num quarto de hotel em meio a escuridão. Ao acender a luz e me ver no espelho percebi que já não estava mais lá. Era um outro.

Troquei Leminski por Bukowski.

Os demônios ainda estavam ao meu lado e pelo reflexo no espelho pude vê-los, desta vez sussurrando "você morreu, agora é outro. Doeu, afinal, o autoconhecimento é uma descida ao inferno".

Já não sentia mais nada, nem dor ou sentimento algum. Agora o meu eu era outro.

Ontem eu morri, ainda bem! 

Pois, pra renascer é preciso morrer.

Agora sei que estou forte, pronto e com a certeza de que sou melhor. Muito melhor, tenha certeza.

Sozinho não mais, pois tenho eu.

Ontem e morri, ainda bem!
E por que demorou tanto para perceber o efêmero, incerto, a trama de inversões?
Enfim, todo caminho é necessário e toda a morte é certa para quem está disposto a renascer.
Ontem eu morri...

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