"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

TRABALHO NA SOCIEDADE CONTEMPOÂNEA

                        FICHAMENTO
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            Texto: RAMALHO, J. R. Trabalho na Sociedade Contemporânea, in: Sociologia: ensino médio. MORAES, A.C. Ministério da Educação (coord.). Brasília: págs. 85 a 102., 2010






         
      O artigo procura explicar as transformações sofridas da sociedade por meio do trabalho, a partir da década de 70 o sistema capitalista de produção passa por reestruturação, o que afeta todas as sociedades em âmbito político e econômico. (p. 85)
            A organização do trabalho, tal como conhecemos, inicia-se na Revolução Industrial e é tema base da sociologia, todos os autores clássicos (Durkheim, Marx e Weber) têm estudos que passam pelo modo de produção capitalista surgido a partir da Revolução ocorrida em meados do século XIX, porém, é com Karl Marx que temos uma visão crítica desse modo de produção, onde a divisão social do trabalho, o domínio de uma sociedade burguesa leva o sujeito à alienação dentro do sistema de produção. (p.87)
            Ramalho faz um rápido e objetivo resumo das principais transformações ocorridas no sistema produção moderno, a começar pelo modo organizacional Taylorista, à verticalização e aceleração promovidos pelo Ford ismo, em síntese, utilizando-se dos trabalhos de Braverman, Sônia Guimarães e Antony Giddens, temos um panorama dos impactos causados com a aliança entre economia e ciência, onde esta passa a servir ao propósitos do capital, dinamizando a forma de produzir e o controle sob os indivíduos. Esse período de franco desenvolvimento tem sem auge entre a Segunda Guerra e o fim dos anos 70, onde a crise do petróleo abala as bases desse sistema, exigindo uma reestruturação (p. 86-88).
            É com David Harvey que teremos uma leitura atualizada dessa reestruturação do sistema produtivo, sobretudo a partir da derrocada dos países comunista e da configuração do modelo capitalista em todos os níveis, dessa vez verticalizada (ao invés do modelo horizontal anterior), integrado e conectado pelas novas formas de comunicação surgidas no final do século XX.
           
            A flexibilização do trabalho instala-se, pondo fim à uniformidade do sistema fordista, com o poderio cada vez maior das agora chamadas transnacionais, antigos padrões como a carteira assinada, direitos trabalhista, vínculos entre funcionários e empresas, organização sindical, direitos sociais, entre outros elementos, passa a dar espaço a precarização das formas de trabalho, contrato flexíveis de trabalho, ausência de direitos trabalhistas, burocratização dos sindicatos e o rompimento de vínculo entre funcionários e empresas. Esse sistema se baseia numa expansão constante das empresas, principalmente em países pobres ou considerados emergentes, onde a fiscalização e organização dos trabalhadores são inexistentes (p. 89).
            Essa flexibilização ocasionará uma precarização nas relações de trabalho, o setor de serviços será a base desse novo modelo, agora, vendo-se substituído totalmente pelas máquinas, resta ao trabalhador espaços de trabalhos que se distanciam da produção, mas que estão próximos da promoção e venda dos produtos fabricados (o setor de telemarketing é marca maior desse novo modelo) (p. 91).
            A precarização atingirá países emergentes como o Brasil, onde o modelo de flexibilização trará, em curto prazo, benefícios, porém, prejudicará o trabalhador, principalmente pela falta de direitos e garantias conquistadas no passado.
            Na última parte do artigo o autor dedica-se ao caso brasileiro e ao desmonte das organizações sindicais, que a partir de certa burocratização deixam de representar de maneiro completa todos os trabalhadores, nas suas mais diversas áreas, principalmente no setor de serviços, que se transformar em sinônimo de trabalho temporário e mal remunerado. Além disso, é possível perceber que o trabalho análogo a escravidão é uma realidade no Brasil.
            Na conclusão, o artigo apresenta três propostas de reflexão sobre o trabalho e os sindicatos, que entre outras coisas, aborda a questão da solidariedade entre os diversos trabalhadores, a inserção cada vez maior e mais igualitária da mulher no trabalho e as garantias sociais.
            Uma reflexão sobre a própria crise do modelo fordista e a ascensão do modelo flexível de trabalho.
          O caso brasileiro é colocado como possibilidade de discussão a partir da precarização do trabalho e da formação dos trabalhadores, as contradições presentes no sistema produtivos elencando formas modernas e arcaicas dentro do mesmo sistema (a exemplo do trabalho infantil que convive em relação a toda a modernidade tecnológica encontrada nos diversos centros financeiros brasileiros) e uma nova forma de atuação dos sindicatos, pautada numa interferência política para a garantia e criação de direitos, a partir de um contexto atual.

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