"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

PÁGINAS

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

QUADRINHOS DE CULTURA

Ler livro é uma atividade que requer esforço, dedicação e, muitas vezes, conhecimento prévio acerta da leitura empreendida. Resumindo, não é tarefa tão simples assim. Eu, por exemplo, me vi desafiado a ler um livro do escritor russo Dostoievski (sempre tenho que consultar o Google para escrever correto!), não consegui ir até a metade. Troquei-o por Flaubert, leitura menos densa na minha opinião. 

Para os não iniciados e para os já iniciados no mundo da leitura, uma boa sugestão são os diversos quadrinhos que podem servir como porta de entrada ou um complemento às leituras já realizadas.

Segue alguns quadrinhos que já li (e reli) e recomendo:

Persépolis conta a história (mais do que real) da jovem Marjane Satrapi, filha de uma família classe média alta do Irã e que se vê num contexto de mudanças devido a revolução islâmica ocorrida em 1978. Seus pais adeptos às ideologias de esquerda e ligados aos acontecimentos no ocidente sofrem as transformações radicais em seu pais. Marjane não fica para trás e narra ao longo do livro o sofrimento de uma jovem, que de uma hora para outra, vê sua liberdade cerceada pelo regime islâmico.
Engraçado, comovente e emocionante. Com alto conteúdo de história sobre o Oriente Médio, o regime islâmico e ditatorial. Recomendadíssimo!!!




Assim como Dostoiveski, tive uma experiência ruim com Kafka, pois levei um ano para ler A metamorfose (isso na minha adolescência). Porém, ao conseguir tal feito, um mundo inteiro se abriu a minha frente.
Anos depois, 2012, me deparo com a minha obra prima preferida em quadrinhos, adaptado por Peter Kuper (que desenha para a MAD). Não pensei duas vezes, comprei.
Vale a pena ler o livro primeiro, o quadrinho é só um complemento, rápido e que da forma à leitura. Mas, sem dúvida alguma, é o quadrinho que não pode faltar na prateleira de iniciados (categoria na qual me incluo) e experts no assunto.







Lá pelo século XVI, o alemão Hans Staden foi capturado pelos índios Tupinambás (aqui no Brasil), onde ficou prisioneiro durante nove meses. Foi levado para o sacrifício algumas vezes, mas conseguia se safar. 
Livre dos Tupinambás, Hans Staden volta para a Alemanha e escreve um livro na qual narra a experiência no Brasil.
Nunca li o livro, apenas um contato com excertos dos escritos de Hans Staden, mas tive  prazer de ler o quadrinho, adaptado pelo pernambucano Jô Oliveira.
Uma aula de História do Brasil.





O Alienista, de Machado de Assis, segue a mesma recomendação de Kafka. Leia o livro primeiro.
Além de ter várias adaptações para os quadrinhos, é um livro que, com ironia sutil vai retratar a estória de um médico que desenvolve métodos e diagnósticos próprios para detectar a loucura.
A ficção não se distância da realidade quando estudada as práticas higienistas, muito comum de tempos em tempos no Brasil.
Essa adaptação do Fábio Moon e do Gabriel Sá, confesso, não sei se li, mas vou tratar de conferir, pois eles são fantásticos.








Graphic novel que depois virou filme, ambos merecem a atenção e são altamente recomendáveis. Porém, apesar de retratar o universo de heróis, requer um bom conhecimentos de história do EUA, principalmente sobre a guerra do Vietnã e o presidente Richard Nixon.
Watchmen mostra que quadrinho pode ser um entretenimento de alto nível.
Mais do que recomendado.










O universo juvenil do século XXI, as bandas indies, os movimentos e dialetos surgidos a partir da cibercultura estão presentes na aventura de Sott Pilgrim - Contra o mundo. Um jovem (que dá nome ao quadrinho) se apaixona pela linda Ramona, porém, para ficar com ela tem que enfrentar os sete ex malvados da garota.
Quadrinho de puro entretenimento, mais de leitura ágil e que exige conhecimento do complexo mundo de transformações juvenil,







Não me canso de contar essa história.
Toda vez que eu ia ao médico, minha querida mãe, para recompensar o trauma, me presenteava com um (as vezes dois) gibi da Turma da Mônica.
Foi aí que começou meu gosto pela leitura e escrita. E acho que a fórmula é mais ou menos essa. Do mais simples ao complexo.
Até hoje recorro a leitura dessa turminha, fez parte da minha vida, vem fazendo parte da vida dos meus filhos e quem sabe, fará parte da vida dos meus netos. rs

Boa leitura!

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