"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

PÁGINAS

quarta-feira, 11 de março de 2015

A ORGIA DO FIM DO MUNDO

  Ontem imaginei a seguinte cena: Jesus e o Demônio, ambos, descendo dos céus e anunciando: “O mundo acabará em 24 horas, estejam prontos. Ah! O destino será comum, ou seja, todo mundo vai para o céu!”.

  Isso mesmo, sem pecado, sem castigo, sem sofrimento. O céu como um paraíso de igualdade.
  Imagino que nesse exato momento a decisão mais sábia a ser tomada pela população mundial, através das redes sociais na Internet, seria a de uma grande orgia. Uma orgia que congregasse todos, sem distinção de cor, credo ou ideologia política.

  Nesse exato momento, o mundo todo se uniria em busca do último gozo, pelo menos em vida ou nessa vida. Esquerda e direita, numa sacanagem total, reatando os nós. A madame coxinha, de fato, comendo uma coxinha, enquanto encoxada por revolucionários bolcheviques. Enquanto isso, o velho trotskista, com os membros endurecidos, mas sem perder a ternura, se esbaldaria comendo caviar da mais pura qualidade e diria: “Olha, se soubesse que era tão bom...”, em meio a goladas do melhor vinho (da adega da madame coxinha).

Imagem do filme Calígula

  Enquanto isso, o Papa, junto com judeus, muçulmanos, protestantes, umbandistas e toda a sorte de religiosos, organizariam uma grande festa para celebrar o fim. Que se dane a fé, vamos dançar!!! Ao som de Earth, Wind and Fire, cantariam em meio a passos desajeitados: ♪♫♩ “Ba de ya, dancing in September, ba de ya, dancing in September...” ♪♫♩
Culto à Dionísio

 Os políticos corruptos!?!?! Esses estariam matando uns aos outros, numa eterna desconfiança de que o mundo não iria acabar. Alguns, em vão, tentariam transferir todo o dinheiro para a Suíça. Outros, seriam conduzidos por Satã até à Fogueira Santa, para serem queimados lentamente, condenados por anos de saques, desvios, pelas mortes de todas as crianças e idosos nas filas dos hospitais públicos e por toda miséria do mundo.
  Não haveria espaços para discussão, só para o gozo final, numa orgia que levaria todos ao mesmo questionamento: “Afinal, por que perdemos tanto tempo?”.
  Fidel Castro confessaria, enfim, seu amor platônico por Margareth Thatcher. Obama, sem demora, marcaria encontro com Putin, deixando Cristina Kirchner com ciúmes.
  Os esquimós sofreriam com o calor dos trópicos, mas nada que uma cerveja bem gelada não resolvesse. Já os europeus, deixaram a xenofobia de lado e cairiam num carnaval multicultural com árabes, marroquinos, indianos, egípcios e sírios.
  Enquanto, os japoneses tirando foto de tudo, registrando, filmando, cada momento da orgia. Esses cairiam na orgia, mesmo que tímidos, mas logo pegariam o jeito da coisa. 
  Seriamos irmãos de fato. Sem dó, sem culpa. Num trenzinho orgástico, um atrás do outro, dando a volta ao mundo.
  E ao fundo ♪♫♩ “Ba de ya, dancing in September, ba de ya, dancing in September...” ♪♫♩

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