"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ANALFABETISMO DIGITAL



Com o advento das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC) um mundo todo começou a se construir a partir de meados da década de 90, a Internet, a grande responsável por transformar as formas de comunicação, acesso à informações e relações sociais.  

Se por um  lado não ficamos mais tão dependentes das formas e meios tradicionais de comunicação, por outro, entramos numa rede confusa, onde a Internet com suas redes sociais, tornam-se uma armadilha constante à serviço dos preconceitos, da violência para aumentar cada vez mais a manipulação e ignorância em relação ao contexto político.


MISTURA PERIGOSA

Numa sociedade onde a capacidade de leitura e interpretação de texto é um obstáculo, aliado a alienação em relação à política e aos próprios problemas sociais, as tecnologias tornam-se armas perigosas. Sujeitos pouco habituados ao discurso racional, coerente e argumentativo encontra, nas redes sociais da Internet, o ambiente ideal para extravasar todo tipo de pensamento equivocado e violento.




Categorizo esse novo sujeito de analfabeto digital, numa mistura de analfabeto funcional, porém, com habilidades suficientes para comprar um smartphone e partir rumo à terra encantada do tudo pode das redes sociais.

A grande diferença do analfabeto funcional (aquele que lê o suficiente para pegar um ônibus, por exemplo) do analfabeto digital é que, o primeiro se vê numa situação de exclusão da sociedade (ver vídeo da definição dada pela pedagoga Telma Weisz). Já o segundo se está totalmente incluso, por justamente está em um patamar diferenciado e pelo fato de sua educação permiti-lo participar do mundo mágico do consumo tecnológico. Nesse sentido, ele não possui a mesma retração social do primeiro caso, pois a sociedade de consumo o inclui pelo simples fato de ter acesso a Internet. 


Essa inclusão lhe garante o direito de participar, porém, sempre de forma incompleta, para não dizer equivocada, distorcendo a realidade a partir de uma leitura incompleta, superficial e sempre tendenciosa. 

ÍNDICE DE IGNORÂNCIA
Uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos Mori, em 40 países, mostrou que as pessoas têm uma interpretação equivocada sobre a realidade. Entre os temas abordados, estava questões como desigualdades sociais, preconceitos, imigração, homossexualidade, aborto, níveis de felicidade etc. 

A pesquisa intitulada "Os perigosos da percepção" (ver aqui) comprovou, por exemplo, que em determinados países, a percepção que as pessoas tinham do número de imigrantes era maior do que o real, ou que o nível de distribuição de renda era mais igualitário quando de fato os números mostravam o contrário.



Com as redes sociais essas falsas percepções aumentam, pois considera-se o mundo virtual como a expressão do real e, pior, muitas vezes os usuários acabam acreditando em informações extremamente duvidosas.

Esse nível de ignorância aumenta quando a propagação de informações se limitam ao compartilhamento de postagem onde as pessoas sequer leem, simplesmente ocorre uma afinidade com o título da postagem a imagem que acompanha e pronto, é o suficiente para que a pessoa compartilhe a postagem, acompanhada de um verdadeiro tratado filosófico da ignorância

Em um dos vários casos, uma pessoa compartilhou uma notícia de 2013 para criticar uma fato ocorrido em 2016. Quando sutilmente eu indiquei a data da reportagem, a pessoa, sutilmente, apagou sua postagem. Ou seja, ela não se deu conta da data do acontecimento. Da mesma forma que, analfabetos digitais não ligam para questões como tempo e espaço, tudo flutua numa órbita única, sem temporalidade, sem contexto, sem nexo algum, a não ser para ela.

PREPOTÊNCIA E ANTI-INTELECTUALIDADE

Analfabetos digitais não leem e têm raiva de quem lê demais, por isso, atacam. O pior que seus argumentos são vazios, pois não leem aquilo que defendem. Aliás, suas causa são alheias a qualquer teoria, conjuntura ou embasamento prático. A filosofia do eu acho impera, firme e forte.

Um estudo da Universidade de Stanford mostrou que, apesar da familiaridade com as novas tecnologias, crianças e jovens são inábeis me reconhecer uma notícia ou informação falsa de um conteúdo verdadeiro (ver reportagem aqui). Se a pesquisa contemplasse o universo adulto, o resultado não seria tão diferente.

A solução viável para esse tipo de situação é apostar em uma educação para esses novos ambientes, que mostre os perigos em meio ao mundo de facilidades e benefícios que são amplamente divulgados por aqueles que têm apenas o interesse de vender tecnologia, para uma massa ignorante que consumirá de forma alienada e irresponsável. 

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