"Deus tem agora um sério concorrente" (Epitáfio para um sociólogo, José Paulo Paes)

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domingo, 7 de maio de 2017

APROPRIAÇÃO CULTURAL

Apropriar-se do elemento de uma cultura, sem levar em conta os sujeitos que dela participam, pode ser entendido como apropriação cultural. Em sentido geral, o mercado transforma em mercadoria de consumo tudo que se possa imaginar, inclusive artefatos culturais.

A grande crítica à apropriação cultural reside no fato de "roubar-se" esse elemento, mas sem o respeito mínimo à cultura e às pessoas que dela participam. Sendo assim, no caso do turbante, as pessoas o reconhecem como algo interessante e o bonito, quando aparecem em mulheres brancas, padrão de beleza instituído. Mas, e quando mulheres negras resolvem sair às ruas com seus turbante? 

Isso pode se pensado de outras formas. Por exemplo, na minha carreira de professor do ensino médio, percebo que diversos adolescentes, seguidores da umbanda ou candomblé, têm dificuldades de afirmar sua religião publicamente na escola. Pelo simples fato de perceberem toda um preconceito violento contra essas religiões. Afinal, o cristianismo, como herança de uma colonização européia, é instituído como a religião oficialmente aceita, principalmente por ser de cor branca. 

Jovens se apropriam do termo "macumba" para descrever de forma pejorativa essas religiões, de matrizes afrodescendentes. Ou seja, o termo é apropriado de maneira extremamente equivocado contra os próprios sujeitos da cultura. 



SER OU NÃO RADICAL

Nesse contexto, o radicalismo de alguns grupos é condenado, como no caso da menina com câncer que estava usando o turbante. Mas, por  que alguns grupos insistem no radicalismo?

Porque ele é necessário em alguns contextos, mesmo reconhecendo os ricos de se ultrapassar alguns limites. E o ideal é que nas se ultrapasse esses limites.

Muitos grupos que passam a defender justamente um a determinada causa, percebem que é necessário o radicalismo, para chamar atenção à luta empreendida. Um exemplo claro disso é o fato de que, o assunto apropriação cultural passou a ser discutido devido ao radicalismo de jovens que denunciaram a situação. 

A radicalização é uma forma de expor a luta e as dificuldades pelas quais passam determinados grupos, que precisam inclusive denunciar para o que a maioria da população considera como normal.

Atitudes violentas, preconceituosas, racistas, homofóbicas, entre outras, são tidas como naturais perante a sociedade, sendo assim, aceitas. Quando grupos entram na empreitada de se autoafirmar e denunciar a situação, o radicalismo conduz as ações desse grupo.

Com tempo, a tendência é de que esse radicalismo de lugar a uma luta mais direcionada conscientemente.

Mas, o que é importante é manter sempre o diálogo, de forma mais pedagógica quem sabe e mostrar que todos elementos culturais devem ser respeitados, afinal, toda cultura é a soma desse intercâmbio cultural, que forma uma diversidade necessária para a humanidade.

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